PARTE II:
Religião — objecto de culto ou costume mundano?Sem querer participar da filosofia rainha da nossa era, que é a de que "Deus morreu", sou um autêntico confessor dos efeitos nefastos que a actual gestão das religiões do mundo tem no bem-estar dos homens e respectivas sociedades. Assim, e antes de dar início à minha dissertação, é necessário constatar dois factos: a), as religiões, para funcionarem no seu pleno, devem ser encaradas como filosofias de vida, anteprojectos para construir um modelo de existência capaz de enfrentar as normais adversidades do nosso dia-a-dia, e b), a certeza de que as maiorias dos símbolos religiosos (templos, livros, etc.) foram elaboradas por homens, impregnando-os de todas as virtudes e defeitos inerentes à nossa espécie.
Passando do geral para o particular, e falando da religião católica (dominante na sociedade portuguesa e sobre a qual me encontro mais informando), considero que todas as suas manifestações são uma das causas que contribuem para a decadência do nosso país e do nosso povo. Senão, vejamos:
- os líderes religiosos e outros com com ordens sacras apregoam, amiúde, as parábolas do filho pródigo e da ovelha tresmalhada — contudo, se algum "fiel" se desviar do caminho traçado pela Igreja, seja por que razão for, ninguém mexe uma palha para o reintegrar no seu "rebanho";
- a constante teimosia em se misturar sagrado com paganismo leva a que, de forma errónea, se considere que ambos estão interligados, originando-se situações e/ou comportamentos negativos cuja base de justificação recai em motivos religiosos;
- o fanatismo católico consegue ser, em minha opinião, mais prejudicial que o fanatismo islâmico. Enquanto estes colocam bombas e fazem ataques suicidas com aviões, semeando terror e colhendo vidas inocentes por motivos mais políticos que religiosos*, os católicos são capazes de destruir psicologicamente, e invocando o nome de Deus e os dogmas da Igreja, as vidas daqueles que lhes são mais próximos;
- uma missa é considerada um acto de união, onde os homens de reunem com Deus, de modo a partilhar a sua fé e a sua alegria(?) por pertencerem a uma comunidade — no entanto, a eucaristia dominical, salvo raras excepções, são muito semelhantes a uma celebração fúnebre;
- a constatação, por vezes, que a Igreja enceta uma exploração desmedida da ignorância e dos medos das pessoas;
- e, do ponto de vista da investigação sobre o tema, Herbert Haag, no prefácio do seu livro
A Igreja Católica Ainda Tem Futuro?, afirma que Cristo não fundou nem quis fundar uma igreja (pág. 9 da edição portuguesa). Deste modo, nenhum dos cargos e sacramentos da Igreja têm fundamentos "divinos", tendo sido criados após a morte de Jesus e por "homens comuns e mortais", podendo os mesmos alterar o seu número e disposição quando assim bem o entenderem, certos de que possuem a "Verdade".
* ao fazer esta afirmação, não pretendo louvar nem concordar com os actos levados a cabo por organizações terroristas islâmicas. Quero demonstrar, reforçar mesmo, a influência que uma religião pode ter nos homens e nos seus comportamentos.
Concluindo, não pretendo aclamar que se deva extinguir as igrejas ou os cargos religiosos. A solução que proponho é que se encare os ensinamentos da Bíblia, do Corão ou do Dalai Lama como guias para uma coexistência pacífica entre os homens. Se estes livros e estas personalidades sagradas têm, de facto, algum tipo de influência divina, então por que razão as religiões provocam comportamentos de conflito, de agressividade e de separação entre os que nelas intervêm e, até, naqueles que delas se afastam?